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ONOFRE RIBEIRO

Upgrade do capitalismo e do socialismo

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Quem estiver pensando que a grande reviravolta na eleição dos EUA com a invasão do Congresso de lá, é uma mera pirraça do presidente Trump, está muito enganado.

Do mesmo modo, quem pensa que o radicalismo entre os partidos Republicano e Democrata é uma simples rusga política. Para quem pensa que o capitalismo venceu o socialismo neste mundo das pandemias. Ou que o socialismo prevaleceu sobre o capitalismo. Ou, ainda, quem acha que as ideologias de esquerda e de direta estão vivas e fortes.

Então, temos muito o que conversar.

Nos últimos cinco anos está bem claro o fim das ideologias puras oriundas do capitalismo puro e do socialismo puro. De repente, o mundo começa a falar numa evidência nova, por ora, chamada de globalismo.

Está bem claro o fim das ideologias puras oriundas do capitalismo e socialismo
Ela ainda não está consolidada e nem absolutamente clara. Mas tudo indica que será a substituta natural das ideologias tradicionais.

O mundo mudou radicalmente. Não cabe mais o capitalismo liberal devastador e sem alma. Nem cabe mais, também, o socialismo predador do Estado e gerador de desgraças políticas onde se impõe.

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Volto à eleição nos EUA. Houve mais pesquisas qualitativas pra entender as pessoas do que as quantitativas pra antecipar quem iria ganhar. No final, não se compreendeu na essência. Há um novo ser humano povoando o planeta. Queiram ou não os governos e os governantes. Há um cidadão falando em bem-estar social, em boa saúde, em empregabilidade, em proteção social. Mas, muita grave: um cidadão cobrador da sustentabilidade ambiental e social.

Aqui no ambiental o capitalismo vai enfrentar um dos seus maiores desafios. Obter a produção sem alterar o meio ambiente como fez no passado. E trazer junto a imensa riqueza acumulada nesses seus 300 anos, como igualdade social.

Como encaixar nisso tecnologia, produção, renda, lucro e desenvolvimento de produtos e de tendências do consumo é uma poderosa equação a ser resolvida no mundo inteiro. Aqui entram os sinais do globalismo. Será uma síntese do capitalismo e do socialismo, numa leitura que está começando a ser construída.

Volto aos EUA. Trump, os republicanos e os democratas estão duelando dentro dessa arena. Nos Democratas se abriga a esquerda radical que representa a tendência esquerdista mundial, dado o poder do país. Do outro lado, o capitalismo se abriga nos Republicanos.

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Mas no fundo, estamos assistindo ao nascimento de uma completa reforma do pensamento político , econômico e social, em meio a imensa disrupção tecnológica. O saldo deverá ser a reconstrução dos sistemas do pensamento humano, como nos séculos 18 e 19, começo do século 20.

Fecho este artigo com a ressalva de que o fim do governo Trump e a entrada do governo Joe Biden, marca-se a construção da nova guerra por ideologias novas que se resumirão no conceito de globalismo mundial. Não creio que se derrame sangue como no passado pelas outras ideologias. Mas o mundo será absolutamente desmontado pra ser completamente construído. Nada é tão simples como parece!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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Opinião

79 anos da Ponte Júlio Müller

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O acesso à Cuiabá até a primeira metade do Séc. XX 1937, era quase que exclusivamente fluvial pelo rio Paraguai pois as poucas estradas de terra que existiam, além de demoradas, eram quase que intransponíveis, tinham como  desafios da selva os colossais rios existentes por todos os lados. Entre eles o rio Cuiabá.

No passado, século XIX cogitou-se a construção de uma ponte de ferro sobre o Rio Cuiabá para interligar a Capital com a região oeste em direção a fronteira, como as pontes metálicas do rio Coxipó, mas o vão do rio era muito  grande e o governo não tinha dinheiro para tão complexa obra.

Enquanto a ponte não vinha a alternativa para atravessar o rio era uma balsa pêndulo que funcionou de 25/04/1874 até 1942.

Como parte do programa de Integração Nacional chamado “Marcha para o Oeste”, o governador Júlio Müller (1937-1945) em articulação  com o presidente Getúlio Vargas implantou um grande Programa de modernização da infraestrutura dos serviços públicos na capital, incluindo a emblemática ponte sobre o rio Cuiabá. O acesso à Cuiabá até a primeira metade do Séc. XX 1937, era quase que exclusivamente fluvial pelo rio Paraguai

A obra foi executada pela construtora carioca Coimbra Bueno dirigida pelos engenheiros Artur Wegderovitz e Cássio Veiga e Sá e durou 15 meses, de 08/1940 a 20/01/1942.  Os maiores desafios da edificação  foram: a disponibilidade de materiais de construção, brita, cimento e  as ferragens e bombas de sucção que tiveram que vir de São Paulo, através da navegação.

Inaugurada às 9Hs da manhã  do dia 20/01/1942 com a presença de 10 mil pessoas em clima de festa com animação da Banda do Exército, fogos e  intermináveis  discursos, a placa foi descerrada e a fita verde amarela cortada como manda o cerimonial e a obra foi entregue á população. Logo após o ato oficial foi oferecido “suculento” churrasco pelo Matadouro Modelo no Terceiro Distrito, atual Várzea Grande.

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O então prefeito de Cuiabá, Manoel Miraglia  1941-1946, batizou por lei a ponte de Bacharel Júlio Müller e decretou feriado municipal.

Depois de construída, a ponte tinha 224 metros de comprimento com um vão especial de 40 metros para passagem por baixo  de grandes embarcações e hidroaviões; Largura de 6,80 metros de pista e resistência de até 20 toneladas de carga.

De início, era cobrado um pedágio para transitar, mas durou pouco tempo, pois o Gov. Júlio Müller suspendeu a cobrança. O trânsito era pequeno e a ponte era usada mais por transeuntes e veículos de tração animal pois Cuiabá e Várzea Grande na época não possuíam juntas nem 100 automóveis.

Para supresa geral,três meses após inaugurada, entre os dias 08 e 10 de março de 1942, ocorreu uma das maiores enchentes da História de Cuiabá. O nível d’água  alcançou quase 9,5 m de altura e a água chegou até a Igreja São Gonçalo. Ficaram desabrigadas 4 mil pessoas e 108 casas foram destruídas.

Preocupado com os inúmeros boatos de que a ponte iria rodar com a cheia, pois as águas já estavam “lambendo a ponte” como dizem os cuiabanos, Júlio Müller e Cássio Veiga de Sá se dirigiram rapidamente  ao Bairro Porto para avaliar a situação geral dos estragos da chuva.

Ao chegar no local, Cássio Veiga de Sá de repente  dobrou as pernas da calça e caminhou em direção à ponte por dentro da enchente com água até a cintura. Foi até a parte central, mais elevada que as margens, para avaliar a vibração e estabilidade da sua obra e constatou que apesar das duas cabeceiras estarem inundadas, não havia riscos de acidentes.

Ao retornar afirmou em voz alta no meio dos curiosos ali presentes: “A ponte vai bem, precisamos agora socorrer os flagelados. A ponte não caiu e nem cairá, o concreto armado suporta mais que podem supor os descrentes.”

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Contudo, a profecia não se fez cumprida, porque 14 anos mais tarde, em 20/09/1968, durante a retirada dos arcos originais de sustentação da ponte numa reforma desastrada do governo Pedro Pedrossian (1966-1971) para tentar alargar as pistas de rolamento e aumentar o fluxo de carros, o piso do vão central da ponte cedeu por inteiro. Os arcos além de compor o estilo art decor era a amarração essencial da estrutura  da ponte.

Passados 79 anos, da construção dessa que foi a  primeira  ponte de concreto de Mato Grosso, muita coisa mudou,  foi retirado seus arcos originais, sua placa de inauguração foi roubada, em 1985 foi duplicada por Júlio Campos e mais recentemente ganhou outra pista para o VLT.

Depois da construção de mais 4 pontes sobre o rio Cuiabá a Ponte Júlio Müller ganhou o apelido ambíguo de “Ponte Velha”. Ainda hoje é o principal equipamento público de acesso ao aeroporto e ao interior do estado.

Para além do concreto e ferro que a sustenta, essa ponte tem enorme valor simbólico para os cuiabanos. É um verdadeiro ícone, documento-monumento testemunho que liga não só cidades e cargas, mas inúmeras memórias afetivas  e histórias incríveis de ontem e de hoje.

O Jornal O Estado de Mato Grosso, base da pesquisa para esse artigo noticiou na sua capa a inauguração com um auspicioso e primoroso texto: “A ponte que transpôs o rio também transporá os séculos, levando para os povoamentos do porvir as notícias e as bençãos de um administrador sem igual e da ponte sobre o rio Cuiabá!  A glória de um nome para o culto imortal do futuro!”.

Suelme Fernandes é mestre em História pela UFMT.

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