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CLAITON CAVALCANTE

PIX: o pagamento instantâneo do BCB

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O Brasil, em que pese, possuir um dos sistemas bancários mais sólido do mundo ainda carece de avanços e abertura tecnológica seja para seus correntistas ou para os que dependem do sistema bancário para movimentar seus negócios.

Para amenizar essa defasagem o Banco Central do Brasil colocou oficialmente em operação, desde o dia 16 de novembro, o sistema PIX que é o sistema instantâneo de pagamentos, onde será possível realizar transações em tempo real.

Segundo o Banco Central, o PIX não é nenhuma sigla, mas um termo que remete a conceitos como tecnologia, transação e pixel. Entenda pixel como sendo um meio de mensurar e acompanhar desempenho e estratégias, não a qualidade resolutiva de imagem ou das telas de televisão.

O sistema instantâneo de pagamentos não é coisa nova, muito menos invenção brasileira. Na Índia, por exemplo, o sistema foi implantado em 2010, lá recebe o nome de UPI, veja que apenas neste exemplo o Brasil está atrasado uma década em relação ao país de Muhammad Yunus.

O sistema instantâneo de pagamentos não é coisa nova, muito menos invenção brasileira

O Brasil, inclusive, se espelhou no modelo de sistema instantâneo de pagamentos utilizado na Índia e Reino Unido para desenvolver o seu próprio sistema.

Muitas pessoas tem se perguntado o porquê da criação do PIX. Alguns respondem que é mais uma maneira criada pelo governo para rastrear as movimentações financeiras, já os adeptos da teoria da conspiração professam a criação da moeda única no mundo.

Teorias a parte, fato é que o PIX surge como uma alternativa a formatos tradicionais como transferências, cartões, boletos, DOC e, porque não dizer, ao dinheiro em espécie.

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Quem possui conta em banco sabe que nos dias atuais uma transferência entre bancos diferentes pode custar até R$ 23,00. Um pagamento, via boleto, pode levar até 2 dias para ser compensado, lembrando que não existe compensação nos finais de semana. Baseado nisso podemos afirmar que banco 24 horas, antes do PIX, só funcionava para saque.

Com o início da operação o Banco Central assegura que o PIX tem o potencial de alavancar a competitividade e a eficiência do mercado, promover a inclusão financeira de pessoas físicas e jurídicas, baixar custos, e a cereja do bolo que é incentivar a eletronização do mercado de pagamentos.

Na verdade, a criação do PIX (eletronização) é um pequeno passo do Banco Central em resposta as criptomoedas (bitcoin), até porque a autarquia pretende criar, a partir de 2022 sua própria CBDC, que é a abreviatura de moedas digitais emitidas por bancos centrais.

Com isso, a tendência é que com a criação das CBDC’s as instituições financeiras possam competir em pé de igualdade com as criptomoedas, que para muitos será o dinheiro do futuro. Mas, mesmo assim as criptomoedas levarão vantagem em relação as CBDC’s visto que são descentralizadas, ou seja, não sofrem interferência de banco central.

Outro ponto que acelerou a entrada em operação do PIX é que os bancos estão se sentindo ameaçados com os pagamentos que em breve poderão ser realizados através do WhatsApp, aplicativo este que detém uma importante “moeda”, que são os hábitos de seus usuários.

Independente se por trás da criação do PIX está o projeto das moedas digitais emitidas por bancos centrais ou a briga com o aplicativo de mensagens, fato inconteste é que o PIX vai mudar substancialmente a rotina de pagamentos hoje adotados no Brasil.

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Se você vai na padaria e efetua o pagamento com cartão, talvez você não saiba mas há um enorme fluxo por trás dessa simples transação, pois para ela acontecer é necessário que haja uma conta bancária de origem e destino, um emissor do cartão, a bandeira do cartão, a máquina do cartão e o processador de tudo isso.

Provavelmente aqui está a resposta do alto valor pago em taxas pelos estabelecimentos comerciais quando da transação com cartão.

Com o PIX esses intermediários deixarão de existir pois a relação será estabelecida diretamente entre comprador e vendedor. Em razão disso, será que as maquininhas de cartão estão com os dias contados, fazendo com que ocorra perdas financeiras para suas fabricantes? Creio que não.

Por outro lado, o consumidor tende a ser beneficiado porque, em tese, os custos com as taxas de operação com as máquinas deixarão de ser repassados pelos estabelecimentos.

Enfim, também não deixa de ter razão aqueles que comungam do pensamento de que o governo terá maior controle sobre as movimentações financeiras, já que deverá haver uma diminuição do uso de dinheiro em espécie favorecendo a diminuição da evasão e sonegação fiscal.

Mas como nem tudo são flores – entenda dinheiro no bolso – onde nem sequer sonhamos o que se passa nos porões do Banco Central e das instituições financeiras é que devemos ter em mente de que não existe almoço grátis.

Mas isso será assunto para outro artigo.

Claiton Cavalcante é contador.

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CAMPANHA POLÍTICA E COMUNICAÇÃO

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Nelson Mandela afirmou que “se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração”. Em politica essa afirmação fica mais evidente.

A comunicação com o eleitor tem um papel fundamental no desenvolvimento das campanhas políticas no mundo todo. Por estas terras estamos saindo de um processo eleitoral de dois turnos onde a comunicação merece destaque, tanto pelos acertos quanto pelos erros cometidos, uma vez que comunicação não é aquilo que eu falo, mas sim aquilo que o interlocutor compreende e propaga.

Se tomarmos como base os candidatos de primeiro turno para prefeito em Cuiabá verificamos aspectos de confronto entre a comunicação analógica e do corpo a corpo versus a comunicação digital.

O espaço é de transição, tanto que os candidatos Emanuel Pinheiro, com mais eficiência dentre os analógicos, e o candidato Abílio Junior, entre os digitais, receberam votos suficientes para serem conduzidos ao segundo turno.

No embate final do segundo turno ficou evidente que existia mais eleitores analógicos para serem conquistados do que eleitores digitais, Tanto que Emanuel foi de 82.367 votos  para 135.871, um acréscimo de 53.367 votos. Enquanto que Abílio, por ser digital, foi de 90.631 votos para 129.777, um acréscimo de 39.146 votos.

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Outro fator que tem que ser levado em consideração é que as ferramentas por si só não se bastam e muitas vezes o conteúdo que te leva a um segundo turno atinge o teto em si mesmo e ai não é mais suficiente para conduzir até uma vitória.

O marketing político é comunicação instantânea e célere o bastante para não permitir erros. Na campanha de Cuiabá isso ficou muito evidente. Como o cunho da campanha foi a moralidade versus a eficiência, o paletó ditou o ritmo da campanha.

O mesmo adereço que levou o candidato Abílio ao segundo turno ficou obsoleto pelo excesso de repetição no segundo turno ao ponto de parecer ser cruel, uma vez que o castigo se torna superior o crime. Logo há uma neutralidade na comunicação do candidato pela obsessão repetitiva. Ao passo que Emanuel demorou até os minutos finais para trazer o adereço para sua campanha e, ao fazer, conseguiu a arrancada final desejada.

Outros fatores foram importantes também, mas este merece destaque pela sua relevância e entrará para a história toda vez que alguém com uma mácula resolver entrar em uma disputa eleitoral.

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A finalidade da comunicação é fazer-se entender, por isso preciso saber para quem quero falar e o que é preciso falar. Ninguém fala com todo mundo ao mesmo tempo. Por isso toda publicidade e comunicação de campanha sofre críticas, uma vez que na sociedade a comunicação é feita por bolhas para as bolhas onde estão os grupos de interesse. Por isso no primeiro turno teve voto quem melhor se comunicou, mas não evoluiu, ao passo que o segundo colocado encontrou o caminho das pedras e chegou em primeiro lugar no turno que dava a vitória definitiva.

 

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