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WILSON FUÁH

O poder da tolerância

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A busca incessante pela perfeição leva as pessoas a anular o estágio de uma vida equilibrada e que traz constantes insatisfações.

Com seria bom de tempo em tempo, reavaliar esse estado de stress de querer conquistar tudo, pois as ações confusas de querer ser o dono do mundo, nem sempre será realizado, mas a satisfação de comemorar também as pequenas conquistas e levar a vida na medida das possibilidades, pode facilitar o desenvolvimento tolerância, e acima de tudo aprender a exercer pouca exigência de si mesmo, e como isso, aceitar as outras pessoas como elas são, pois o encanto pelas pessoas é que nos prende ou nos afasta do prazer de estar reunidos pela satisfação de estarmos juntos comemorando em forma de emoções e recuperando o sentimento de aproximação.

O estágio de amadurecimento só conseguiu alcançar, quando passamos a agir com mais tolerância conosco mesmo e menos rígido nos nossos julgamentos para com os outros, por isso, quando deixamos em preocupar com o excesso de vaidade, e passamos a entender que as coisas simples, faz-nos desenvolver o encanto contemplativo e este estado nos aproxima de Deus.

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Podemos até sonhar em querer ser o senhor do mundo em que vivemos, mas não seremos verdadeiramente senhores de nossas ações se não adotarmos três fatores necessários para que a vida tenha o verdadeiro significado da nossa existência:

1 – exercer o poder da tolerância;

2 – buscar a ajuda mútua;

3 – e, aprender a se doar.

Essas ações é que renova as nossas emoções, que muitas vezes estão esquecidas dentro de nós mesmos, mas ao encontrá-la ficamos a sorrir dos atos passados e por um momento ficamos sem quer mais nada, ficamos a imaginar como seria possível eternizar essa satisfação emocional, mas é nesse estágio que crescemos e encontramos a fórmula mágica do encanto da alma.

A passagem por esta vida é muito rápida, mas o suficiente longo para cometermos erros irreparáveis e às vezes, acertos não valorizados; por isso, saímos por aí, julgamos sem tolerância até as pessoas que mais amamos, e que nos leva a viver como se fossemos um ser superior e adotando atitudes individualistas, simuladas e agressivas com aquelas que contrariam o entendimento diferente do nosso.

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Querer ter e exigir a perfeição das pessoas faz com que passamos pela vida como um julgador, deixando de lado os melhores momentos da vida que é estar ensinando e aprendendo a cada passo.

Por outro lado, pela vida e nos relacionamentos, vemos as evidências de constantes stress com atos e gestos agressivos, e nas reuniões sociais convivemos com pessoas que estão escravizadas por querer resumir a sua vida em atos perfeitos, pois ainda não entenderam que somos escravos das nossas atitudes e quando elas não são bem administradas, leva-nos a viver estressados eternamente e dependente de ansiolíticos, pois essa pessoas ainda não entenderam que apesar de existir milhares de motivos para viverem alegremente e felizes, preferem viver sob o escudo da intolerância consigo mesmo.

Wilson Carlos Soares Fuáh é especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.

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Opinião

Paz e guerra

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Já ouviram falar em guerra assimétrica? Provavelmente seu conceito e dimensão ainda seja novidade à maioria dos leitores deste espaço. Olavo de Carvalho (um pensador de direita; por que, não?), em artigo de 2004, assim definiu:

‘Inspirada na Arte da Guerra de Sun-Tzu, a Guerra Assimétrica consiste em dar tacitamente a um dos lados beligerantes o direito absoluto de usar de todos os meios de ação, por mais vis e criminosos, explorando ao mesmo tempo como ardil estratégico os compromissos morais e legais que amarram as mãos do adversário’ (O Globo).

O que se caminha no país atual é para algo bem parecido, exceção para o caráter transnacional e outras especificidades. Não há uma declaração formal de guerra, também não aparenta levante civil, mas há infiltração de conceitos ideológicos e políticos, sem campo pré-determinado de ação, aproveitando-se da ineficiência estatal e da crise de autoridade, restando tipo bem próximo da Guerra Irregular.

O Rio de Janeiro há anos passa por problemas relacionados à segurança pública que bem poderiam ser conceituados por Guerra Irregular, mas de um povo contra seu próprio povo. O Brasil cunhou um novo conceito de insurreição para os manuais de guerra.

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Já ouviram falar em guerra assimétrica? Provavelmente seu conceito e dimensão ainda seja novidade

De Publius Flavius V. Renatus (Séc. V/IV a.C.)- ‘Si vis pacem, para bellum’(Se quer paz, prepara-se para a guerra).

O problema disso tudo é que nem a hierarquia e a disciplina têm sido suficientes para enfrenta-la, é o exemplo do emprego da FFAA, dado um fator do mais delicado do exercício do poder – a crise de autoridade-.

Ao deslocar o poder de punir para o Estado, o pacto social estabelecido pede sua contrapartida: o legitimo e regular uso dos meios necessários na manutenção da paz social. Somente assim o povo respeitará àqueles que exercem parcela desse poder/dever, obedecendo-lhes conscientemente.

Os líderes que temos nesse cenário político são o espelho do que temos na sociedade. E esta saqueia a própria desmoralização, subverte, se desmoraliza por vinténs políticos e discursos demagógicos. Enfim, parece agir sem consistência civilizatória.

Sem descuidar dos conceitos de democracia em Platão e Aristóteles, desde a Grécia antiga sua forma de atuação vem sendo modificada ao longo dos séculos. Inicialmente, participação popular direta e, anos após anos, seu aperfeiçoamento fez-se chegar à participação indireta através dos representantes do povo.

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E neste exato momento, perderam-se os conceitos e formas, sem que saibamos o que significa obedecer a quem não tem ou não exerce autoridade. A lei, mera tinta no papel, não obriga a mais ninguém.

Criminosos bradando siglas de organização criminosa em audiência criminal, policiais que não conseguem chegar (o Estado não tem controle, portanto), sem antes munirem-se de armamentos pesados e blindados, ao topo de um morro carioca, saques nas ruas, o Exército sendo chamado para exercer função atípica de segurança pública etc., a quem mais querem desmoralizar?

Aproveitando o centenário de Paulo Freire, o que ele diria? Provavelmente: “Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão” (Pedagogia do Oprimido).

A caneta e as leis estão ficando fora de moda; voltemos para a caverna. Platão é atual.

Gonçalo Antunes de Barros Neto é juiz e tem formação em Filosofia.

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