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MARCIA AMORIM

Como serão os protocolos para volta do funcionamento escolar?

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Estamos vivendo uma fase da pandemia no Brasil, na qual várias regiões do país já começaram a retornar às suas atividades comerciais, sociais e até educacionais. Neste contexto, muitas famílias passam então a se preocupar com a volta às aulas e quais os protocolos adotados pelas instituições para garantir a segurança aos seus filhos.

Ainda há muitas dúvidas com relação às garantias quanto a prevenção do Covid em ambientes frequentados por crianças. No entanto, estudos recentes, como da Universidade de Oxford no Reino Unido, Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro e Universidade de Tel Aviv em Israel, mostram que infantes menores de 12 anos de idade são os menos afetados pelo coronavírus, tendo a gripe comum, por exemplo, índices muito mais elevados de gravidade e mortalidade para a referida faixa etária. Porém, os cuidados, como uso de máscara, lavagem das mãos e distanciamento, são de extrema importância, pois apesar de não apresentarem grandes manifestações da doença, transmitem o vírus as pessoas do convívio quando em contato direto. Baseado na análise de dados reais e nos estudos, que vem avançando cada vez mais neste quesito, muitos países adotaram o retorno das atividades escolares e iniciaram a criação dos protocolos e recomendações indicadas para esse momento.

De maneira unânime há o consenso de que os alunos devem retornar de forma gradativa, sendo escalonados em pequenos grupos, a fim de que parte da instrução pedagógica ocorra na escola e parte dela permaneça acontecendo em casa. Outro ponto de consenso é sobre o fato de transmitir, através das medidas adotadas, segurança aos familiares com os cuidados realizados no ambiente escolar, visando promover o distanciamento entre as crianças, zelo com relação a higiene, rotina estruturada para garantia de saúde aos professores e demais colaboradores, e práticas educacionais que sejam afetivas e de retomada emocional a todos os envolvidos.

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Sendo assim, há alguns pontos que merecem destaque e precisam estar bem estruturados no guia de condução desta nova rotina. Dentre eles:

–  Protocolo de triagem na entrada da escola, com uso de termômetro, tapetes de higienização dos pés, limpeza das mãos e dos pertences trazidos;

– Protocolo de afastamento social, nos diversos espaços de circulação da escola (banheiro, quadra, áreas externas, etc.) uma vez que os estudantes não ficarão durante todo tempo em sala de aula sentados em suas carteiras com distanciamento previamente marcado de 1,5m.

– Protocolo de conduta do colaborador, que além de passar por toda triagem, assim como os estudantes, devem ter medidas ainda mais rigorosas de controle do seu histórico e rotina dentro e fora da escola;

– Protocolo de limpeza e desinfecção dos espaços, baseado nas recomendações da OMS, assim como no parecer de profissionais desta área específica de higiene;

– Protocolo de visita ou encontro com pais da escola, assim como para novas matrículas, pois não é permitido, em nenhuma hipótese, a circulação de pessoas, além das crianças e colaboradores diretamente ligados ao ensino, dentro do perímetro escolar em horário de aula.

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Portanto, entendendo que diversos setores iniciaram essa retomada e compreendendo o quanto a instrução pedagógica presencial poderá contribuir para minimizar os impactos emocionais, físicos e cognitivos causados às crianças nesta fase de isolamento social, devemos buscar a escola e abrir o diálogo para compreender o que já foi feito e qual o planejamento para a volta deste convívio infantil.

Lembre-se que, quando acontecer essa liberação pelos órgãos competentes, permanecerá ainda a possibilidade do ensino 100% online, no entanto é de extrema valia ressaltar o quanto o aluno será beneficiado em voltar a ter uma rotina de encontros com o seu meio, uma vez que o seu papel na sociedade é ser estudante, sendo essa a única responsabilidade a ser cumprida por um menor durante a infância. Em contrapartida, é essencial que os familiares tenham a consciência de que pessoas do grupo de risco, como idosos (avós) ou com doenças pré-existentes não devem entrar em contato com as crianças, nem mesmo levá-los e buscá-los na escola.

Neste período de pandemia atenção aos detalhes faz toda diferença, pois temos aprendido que amar é instruir, acreditar e apoiar aqueles que respeitamos e queremos ver sendo felizes.

Marcia Amorim Pedr´Angelo é psicopedagoga, especialista em educação infantil e letramento, coaching educacional

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Opinião

Desfazer o normal há de ser uma norma

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Marx lembra que as “condições sociais petrificadas têm de ser compelidas à dança, fazendo-lhes ouvir o canto da sua própria melodia”.

A normalidade é parâmetro comum no contexto social que vivemos. A gente adora uma estrada pavimentada.

O mundo cultua a idolatria do “corpo perfeito”. A cada criança que viva está incutida a ideia de que ela deva nascer, crescer e se desenvolver “bela, inteligente e perfeita”.

Mas assim não é… Graças a Deus o mundo é mistério!

Seja como for, há um padrão ao qual será necessário responder positivamente, sob pena da proibição do “pertencimento ao mundo”. Ah! Esta soledad que llevamos todos…Islas perdidas.

Nós sabemos, amiga leitora, que as diferenças são pouco toleradas pela humanidade. E o “corpo deficiente”, aquele que encarna a assimetria, o desequilíbrio, as disfunções para a “normalidade”; a sua anormalidade, ameaça, assusta o “corpo perfeito”.

Que já fique consignado, a exigibilidade de perfeição e a demarcação de um padrão, elimina as diferentes singularidades, afasta o incomum, o inusitado, o não vulgar…

Sabe-se bem o que acontece se não for possível responder ao padrão, quando não somos iguais aos demais: “assim como outras formas de opressão pelo corpo, como o sexismo ou o racismo, os estudos sobre deficiência descortinaram uma das ideologias mais opressoras de nossa vida social: a que humilha e segrega o corpo deficiente”.

Mesmo a linguagem referente ao tema está carregada de violência e de eufemismos discriminatórios. Discute-se até hoje a “maneira correta” do termo deficiente.

Clarinha Mar, a qual diz que não consegue fazer movimentos finos, como amarrar o sapato, traz pra gente o significado mais sutil do termo. Diz assim:

Deficiência. É palavra de origem latina, defikere. Que significa falha. Por algum motivo as pessoas que nasciam com algumas características diferentes, próprias, e que não atendiam ao “comum”, eram chamadas de deficientes. Ao longo do tempo, foram discutidos esses vários termos, pra chamar a pessoa que possuía alguma característica peculiar, essas características foram classificadas, ao longo do tempo, por falhas. Acho que por isso a tal da deficiência.(…) Só que eu acredito que as palavras, elas mudam. De acordo com o tempo. Elas não permanecem com o mesmo significado. Elas nascem, e ao longo dos tantos anos elas vão se metamorfoseando. Elas criam outros sentidos, outras formas, outros significados. E a palavra deficiente é uma palavra muito especial pra mim porque ela me caracteriza, eu nunca tive essa palavra como uma palavra ruim, sempre tive como uma palavra boa. Uma palavra que me define, em parte. E como uma característica define parte de uma pessoa a deficiência define parte de mim, desde que nascei desde que eu adquiri a consciência das palavras, dos nomes, a palavra deficiência sempre esteve comigo, eu era deficiente, eu era uma pessoa com deficiência. (…) Eu sempre preferi que me chamassem de deficiente, por que não é uma afronta, é só uma característica, não é nem uma condição pra mim, eu não sou condicionada a ter alguma coisa, eu simplesmente tenho (…) E nem por isso eu sou uma pessoa mais ou menos evoluída, eu só sou uma pessoa(…) A deficiência não é um mal, é simplesmente uma característica, qualquer um pode nascer com deficiência ou ficar com alguma deficiência. Todo bem ou todo mal vem do que você faz com o que você tem, o que você tem é o que você tem, não importa; agora, o que você faz com o que você tem é o que vai definir se o que você tem é bom ou se o que você tem é ruim. Eu amo ser deficiente, eu tenho muito orgulho disso. E você? Tem orgulho de quem é?

Todos nós vamos experimentar ou já experimentamos o “corpo deficiente”. Esse desconhecido descrito como anormal, por lapso, por preconceito, por discriminação.

A incapacidade em prever, ver e incorporar a diversidade é “normal” também no nosso contexto social. Não há como negar a ideologia que oprime a pessoa com deficiência. A normalidade construída contribui para o ‘problema’ da pessoa com deficiência.

O conto de fadas, a irrealidade que há na visão que enxerga o ser e a vida como perfeita… A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto somos abastados. Ora, as pessoas são de carne, osso e sentimentos. E é isso! São pessoas.

Pensar que a pessoa com deficiência é considerada deficitária, falha, incompleta em seu todo ser, por não responder a um padrão idealizado de ser humano, isso sim é estranho, excêntrico, adventício… alheio.

Será necessária muita fisioterapia por um passo para o reconhecer; muitas sessões de fono por uma palavra de amorosidade e respeito, muita acessibilidade para os perdidos chegarem ao outro com movimentos finos, como os de Clarinha Mar.

*Emanuel Filartiga é Promotor de Justiça em Mato Grosso

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