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JOAO EDISOM DE SOUZA

Cassino Brasil

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Olhando desde o longe para as escolhas feitas em geral nos dias de eleições, parece que somos um povo flexível e sempre estamos tentando algo diferente para ver se dá certo, né? Mas, na verdade, tudo isso é reflexo da preguiça intelectual e orgânica para com o próprio futuro, pois a cada eleição damos um chute para um dos lados para ver se dá certo.

Voto por estas terras é sinônimo de loterias, de jogo de azar, onde cada um tem um palpite baseado sempre na sorte do dia ou nas superstições e manias.

Para quem não sabe aonde quer chegar qualquer caminho lhe parece bom! Isto é: sem objetivo a médio e longo prazo, ninguém faz planejamento. As eleições, quanto mais democráticas e populares, mais tem evidenciado este caráter de loteria ou jogatina.

Pode até não parecer, mas um dos maiores esforços intelectuais está no exercício de planejar. A execução quase sempre é método (já conhecido) e ação (execução ou laboral). Ambos advindos dos conhecimentos pré-existentes. Precisa esforço, estudo, para entender.

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Eleitorado passa a campanha toda procurando defeitos nos candidatos ao invés de propostas reais e concretas

Dito isso, o eleitorado passa a campanha toda procurando defeitos nos candidatos ao invés de propostas reais e concretas. E depois “vai” às urnas como quem vai à casa lotérica, pega o cartão (título de eleitor), chuta os números e espera quatro anos para ver se foi sorteado com a sorte grande!

O ano de 2020 fechará com eleições em 5.570 municípios. Vereadores a granel, prefeitos aos borbotões e de antemão já sabemos que a grande maioria vai frustrar a população. Onde está o erro? Em quem se candidatou ou em quem votou? A resposta é simples: o erro está em quem não se preparou para ser cidadão. Em quem não sabe o que quer para o seu próprio futuro.

Mas também é importante sinalizar que esta deficiência em não planejar nada não se apresenta apenas na política. São pessoas que não planejam nem suas próprias vidas. Não planejam seu futuro e por isto não investem nas suas próprias vidas. Se não se importam consigo mesmas, porque iriam se importar com o futuro de seu país?

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Somos um dos pouquíssimos países do mundo que temos salário prêmio, ou décimo terceiro e férias separados do salário corriqueiro. Ao receber este “extra”, quantas pessoas investem nelas mesmas? Quantas investem em curso de aperfeiçoamento? Em novas capacitações? Quantos investem em seu conhecimento para ampliar a área de trabalho ou vislumbrar promoções na carreira? Deve ter sim, mas bem menos dos que gastam tudo em bebedeiras e festas, ou mesmo em troca de objetos domésticos pelo prazer de ter um mais novo do mesmo que já tinha.

Se no dia eleição caminharmos rumo às urnas como quem caminha para a lotérica, é porque tratamos nosso futuro como um grande cassino; o cassino Brasil. A grande verdade é que todos nós fazemos escolhas, mas, no fim, nossas escolhas nos fazem.

João Edisom de Souza é professor universitário e analista político em Mato Grosso.

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Opinião

79 anos da Ponte Júlio Müller

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O acesso à Cuiabá até a primeira metade do Séc. XX 1937, era quase que exclusivamente fluvial pelo rio Paraguai pois as poucas estradas de terra que existiam, além de demoradas, eram quase que intransponíveis, tinham como  desafios da selva os colossais rios existentes por todos os lados. Entre eles o rio Cuiabá.

No passado, século XIX cogitou-se a construção de uma ponte de ferro sobre o Rio Cuiabá para interligar a Capital com a região oeste em direção a fronteira, como as pontes metálicas do rio Coxipó, mas o vão do rio era muito  grande e o governo não tinha dinheiro para tão complexa obra.

Enquanto a ponte não vinha a alternativa para atravessar o rio era uma balsa pêndulo que funcionou de 25/04/1874 até 1942.

Como parte do programa de Integração Nacional chamado “Marcha para o Oeste”, o governador Júlio Müller (1937-1945) em articulação  com o presidente Getúlio Vargas implantou um grande Programa de modernização da infraestrutura dos serviços públicos na capital, incluindo a emblemática ponte sobre o rio Cuiabá. O acesso à Cuiabá até a primeira metade do Séc. XX 1937, era quase que exclusivamente fluvial pelo rio Paraguai

A obra foi executada pela construtora carioca Coimbra Bueno dirigida pelos engenheiros Artur Wegderovitz e Cássio Veiga e Sá e durou 15 meses, de 08/1940 a 20/01/1942.  Os maiores desafios da edificação  foram: a disponibilidade de materiais de construção, brita, cimento e  as ferragens e bombas de sucção que tiveram que vir de São Paulo, através da navegação.

Inaugurada às 9Hs da manhã  do dia 20/01/1942 com a presença de 10 mil pessoas em clima de festa com animação da Banda do Exército, fogos e  intermináveis  discursos, a placa foi descerrada e a fita verde amarela cortada como manda o cerimonial e a obra foi entregue á população. Logo após o ato oficial foi oferecido “suculento” churrasco pelo Matadouro Modelo no Terceiro Distrito, atual Várzea Grande.

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O então prefeito de Cuiabá, Manoel Miraglia  1941-1946, batizou por lei a ponte de Bacharel Júlio Müller e decretou feriado municipal.

Depois de construída, a ponte tinha 224 metros de comprimento com um vão especial de 40 metros para passagem por baixo  de grandes embarcações e hidroaviões; Largura de 6,80 metros de pista e resistência de até 20 toneladas de carga.

De início, era cobrado um pedágio para transitar, mas durou pouco tempo, pois o Gov. Júlio Müller suspendeu a cobrança. O trânsito era pequeno e a ponte era usada mais por transeuntes e veículos de tração animal pois Cuiabá e Várzea Grande na época não possuíam juntas nem 100 automóveis.

Para supresa geral,três meses após inaugurada, entre os dias 08 e 10 de março de 1942, ocorreu uma das maiores enchentes da História de Cuiabá. O nível d’água  alcançou quase 9,5 m de altura e a água chegou até a Igreja São Gonçalo. Ficaram desabrigadas 4 mil pessoas e 108 casas foram destruídas.

Preocupado com os inúmeros boatos de que a ponte iria rodar com a cheia, pois as águas já estavam “lambendo a ponte” como dizem os cuiabanos, Júlio Müller e Cássio Veiga de Sá se dirigiram rapidamente  ao Bairro Porto para avaliar a situação geral dos estragos da chuva.

Ao chegar no local, Cássio Veiga de Sá de repente  dobrou as pernas da calça e caminhou em direção à ponte por dentro da enchente com água até a cintura. Foi até a parte central, mais elevada que as margens, para avaliar a vibração e estabilidade da sua obra e constatou que apesar das duas cabeceiras estarem inundadas, não havia riscos de acidentes.

Ao retornar afirmou em voz alta no meio dos curiosos ali presentes: “A ponte vai bem, precisamos agora socorrer os flagelados. A ponte não caiu e nem cairá, o concreto armado suporta mais que podem supor os descrentes.”

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Contudo, a profecia não se fez cumprida, porque 14 anos mais tarde, em 20/09/1968, durante a retirada dos arcos originais de sustentação da ponte numa reforma desastrada do governo Pedro Pedrossian (1966-1971) para tentar alargar as pistas de rolamento e aumentar o fluxo de carros, o piso do vão central da ponte cedeu por inteiro. Os arcos além de compor o estilo art decor era a amarração essencial da estrutura  da ponte.

Passados 79 anos, da construção dessa que foi a  primeira  ponte de concreto de Mato Grosso, muita coisa mudou,  foi retirado seus arcos originais, sua placa de inauguração foi roubada, em 1985 foi duplicada por Júlio Campos e mais recentemente ganhou outra pista para o VLT.

Depois da construção de mais 4 pontes sobre o rio Cuiabá a Ponte Júlio Müller ganhou o apelido ambíguo de “Ponte Velha”. Ainda hoje é o principal equipamento público de acesso ao aeroporto e ao interior do estado.

Para além do concreto e ferro que a sustenta, essa ponte tem enorme valor simbólico para os cuiabanos. É um verdadeiro ícone, documento-monumento testemunho que liga não só cidades e cargas, mas inúmeras memórias afetivas  e histórias incríveis de ontem e de hoje.

O Jornal O Estado de Mato Grosso, base da pesquisa para esse artigo noticiou na sua capa a inauguração com um auspicioso e primoroso texto: “A ponte que transpôs o rio também transporá os séculos, levando para os povoamentos do porvir as notícias e as bençãos de um administrador sem igual e da ponte sobre o rio Cuiabá!  A glória de um nome para o culto imortal do futuro!”.

Suelme Fernandes é mestre em História pela UFMT.

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