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JOÃO BATISTA DE SOUZA

Agricultura Familiar não pode continuar como velho novo problema

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Um dos dilemas da época e que vivemos constitui-se no fato do risco de perdurar velhos problemas, prolongando-se como problemas atuais, numa espécie de perpetuação das mazelas, vez que as resoluções para muitas demandas de relevante interesse público são mal resolvidas.

Exemplo da visão que estamos externando, se verifica nas circunstâncias adversas nas quais se encontram submetidas a Agricultura Familiar, ressalte-se, um setor estratégico para o desenvolvimento socioeconômico sustentável e atendimento de uma necessidade essencial à vida, que é a produção de alimentos.

Dispondo de imensa área territorial agricultável e invejável manancial de água doce dos cursos d’ águas superficiais (rios e córregos) e cursos subterrâneos (lençóis freáticos), que podem ser explorados por meio de poços artesianos, somado à existência de milhares de famílias atuando na Agricultura Familiar, não se justifica Mato Grosso sofrer a evasão de recursos na ordem de R$ 1 bilhão de reais por ano, gasto na aquisição de hortifrutis vindos de outras unidades da federação. Para que se tenha ideia mais precisa, a Central de Abastecimento localizada em Cuiabá, comercializa 500 toneladas por dia de frutas e hortaliças (15 mil toneladas/mês), sendo que 80% dessa produção é proveniente de outros centros do País.

Agricultura Familiar não só pode contribuir, como se constitui num caminho para solucionar a questão do abastecimento e desenvolvimento econômico e social sustentável
A Agricultura Familiar não só pode contribuir, como se constitui num caminho para solucionar a questão do abastecimento e desenvolvimento econômico e social sustentável, na medida em que evitará a evasão de divisas com a importação de hortifrútis e alimentos de localidades fora de Mato Grosso, além de gerar 15 empregos por cada 100 hectares, acrescido dos impostos que serão arrecadados pelo Tesouro do Estado.

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O Censo Agropecuário do IBGE realizado em 2017 aponta existirem 104 mil famílias atuando na Agricultura Familiar em Mato Grosso. Adotando como base de cálculo, que a pesquisa Pnad Contínua do IBGE levantou a existência de 3,3 pessoas, por domicílio em nosso Estado, as 104 mil famílias totalizam 344 mil mato-grossenses – 10% da população mato-grossense de 3,5 milhões pessoas – que podem sobreviver exclusivamente dos frutos do trabalho na Agricultura Familiar.

Por sua vez, estudos concluíram que aproximadamente 70% dos alimentos consumidos originam-se da Agricultura Familiar, dado oficial que reforça a importância estratégica do setor.

À isso tudo, acrescente-se que, em que pesem todas as dificuldades e limitações, em Mato Grosso a Agricultura Familiar também contribui com a geração de 21,4% do PIB agropecuário, o que representa R$ 16 bilhões por ano do total das riquezas produzidas pelo setor, quase se igualando ao valor do Orçamento Público do Estado, dinheiro que sustenta o funcionamento da Máquina Pública estadual, contemplando o Executivo, Legislativo e Judiciário.

A Agricultura Familiar passou a ser reconhecida como atividade econômica a partir da década de 90, bem como em 1.995 o governo federal criou o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), tendo como finalidade garantir crédito, fomento, assistência técnica e pesquisa aplicada à pequena produção familiar.

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Numa fase posterior foi criado o Programa de Aquisições de Alimentos da Agricultura Familiar, como forma de incentivar a produção e venda da produção às instituições públicas federais, estaduais e municipais, fornecendo para alimentação das escolas públicas.

De outra parte, a EMPAER cumpre relevante papel no apoio à Agricultura Familiar, prestando assistência técnica e orientação aos agricultores familiares nos 141 municípios do Estado.

Logramos, pois, a conquista de avanços preciosos, como se observa. No entanto, fazem-se necessários ajustes na concepção que norteia a política para a Agricultura Familiar em MT.

O ponto de partida é qualificar o debate a respeito, e evitar velhos conceitos e visões equivocadas. Identificar os gargalos e caminhos a serem percorridos, através da qualificação do debate acerca de medidas pragmáticas a serem tomadas e implementá-las em sua plenitude.

Nesse contexto um ponto é indiscutível: a Agricultura Familiar não pode continuar sendo objeto de políticas no varejo.

O setor necessita de uma visão mais ampla, buscando um sentido macro, haja vista que a produção do setor, tanto atenderá o suprimento do mercado interno, como incrementará as exportações, o que exige ter uma dimensão maior do papel que o setor pode cumprir na conjuntura socioeconômica de Mato Grosso.

João Batista de Souza é deputado estadual/PROS-MT.

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Opinião

79 anos da Ponte Júlio Müller

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O acesso à Cuiabá até a primeira metade do Séc. XX 1937, era quase que exclusivamente fluvial pelo rio Paraguai pois as poucas estradas de terra que existiam, além de demoradas, eram quase que intransponíveis, tinham como  desafios da selva os colossais rios existentes por todos os lados. Entre eles o rio Cuiabá.

No passado, século XIX cogitou-se a construção de uma ponte de ferro sobre o Rio Cuiabá para interligar a Capital com a região oeste em direção a fronteira, como as pontes metálicas do rio Coxipó, mas o vão do rio era muito  grande e o governo não tinha dinheiro para tão complexa obra.

Enquanto a ponte não vinha a alternativa para atravessar o rio era uma balsa pêndulo que funcionou de 25/04/1874 até 1942.

Como parte do programa de Integração Nacional chamado “Marcha para o Oeste”, o governador Júlio Müller (1937-1945) em articulação  com o presidente Getúlio Vargas implantou um grande Programa de modernização da infraestrutura dos serviços públicos na capital, incluindo a emblemática ponte sobre o rio Cuiabá. O acesso à Cuiabá até a primeira metade do Séc. XX 1937, era quase que exclusivamente fluvial pelo rio Paraguai

A obra foi executada pela construtora carioca Coimbra Bueno dirigida pelos engenheiros Artur Wegderovitz e Cássio Veiga e Sá e durou 15 meses, de 08/1940 a 20/01/1942.  Os maiores desafios da edificação  foram: a disponibilidade de materiais de construção, brita, cimento e  as ferragens e bombas de sucção que tiveram que vir de São Paulo, através da navegação.

Inaugurada às 9Hs da manhã  do dia 20/01/1942 com a presença de 10 mil pessoas em clima de festa com animação da Banda do Exército, fogos e  intermináveis  discursos, a placa foi descerrada e a fita verde amarela cortada como manda o cerimonial e a obra foi entregue á população. Logo após o ato oficial foi oferecido “suculento” churrasco pelo Matadouro Modelo no Terceiro Distrito, atual Várzea Grande.

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O então prefeito de Cuiabá, Manoel Miraglia  1941-1946, batizou por lei a ponte de Bacharel Júlio Müller e decretou feriado municipal.

Depois de construída, a ponte tinha 224 metros de comprimento com um vão especial de 40 metros para passagem por baixo  de grandes embarcações e hidroaviões; Largura de 6,80 metros de pista e resistência de até 20 toneladas de carga.

De início, era cobrado um pedágio para transitar, mas durou pouco tempo, pois o Gov. Júlio Müller suspendeu a cobrança. O trânsito era pequeno e a ponte era usada mais por transeuntes e veículos de tração animal pois Cuiabá e Várzea Grande na época não possuíam juntas nem 100 automóveis.

Para supresa geral,três meses após inaugurada, entre os dias 08 e 10 de março de 1942, ocorreu uma das maiores enchentes da História de Cuiabá. O nível d’água  alcançou quase 9,5 m de altura e a água chegou até a Igreja São Gonçalo. Ficaram desabrigadas 4 mil pessoas e 108 casas foram destruídas.

Preocupado com os inúmeros boatos de que a ponte iria rodar com a cheia, pois as águas já estavam “lambendo a ponte” como dizem os cuiabanos, Júlio Müller e Cássio Veiga de Sá se dirigiram rapidamente  ao Bairro Porto para avaliar a situação geral dos estragos da chuva.

Ao chegar no local, Cássio Veiga de Sá de repente  dobrou as pernas da calça e caminhou em direção à ponte por dentro da enchente com água até a cintura. Foi até a parte central, mais elevada que as margens, para avaliar a vibração e estabilidade da sua obra e constatou que apesar das duas cabeceiras estarem inundadas, não havia riscos de acidentes.

Ao retornar afirmou em voz alta no meio dos curiosos ali presentes: “A ponte vai bem, precisamos agora socorrer os flagelados. A ponte não caiu e nem cairá, o concreto armado suporta mais que podem supor os descrentes.”

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Contudo, a profecia não se fez cumprida, porque 14 anos mais tarde, em 20/09/1968, durante a retirada dos arcos originais de sustentação da ponte numa reforma desastrada do governo Pedro Pedrossian (1966-1971) para tentar alargar as pistas de rolamento e aumentar o fluxo de carros, o piso do vão central da ponte cedeu por inteiro. Os arcos além de compor o estilo art decor era a amarração essencial da estrutura  da ponte.

Passados 79 anos, da construção dessa que foi a  primeira  ponte de concreto de Mato Grosso, muita coisa mudou,  foi retirado seus arcos originais, sua placa de inauguração foi roubada, em 1985 foi duplicada por Júlio Campos e mais recentemente ganhou outra pista para o VLT.

Depois da construção de mais 4 pontes sobre o rio Cuiabá a Ponte Júlio Müller ganhou o apelido ambíguo de “Ponte Velha”. Ainda hoje é o principal equipamento público de acesso ao aeroporto e ao interior do estado.

Para além do concreto e ferro que a sustenta, essa ponte tem enorme valor simbólico para os cuiabanos. É um verdadeiro ícone, documento-monumento testemunho que liga não só cidades e cargas, mas inúmeras memórias afetivas  e histórias incríveis de ontem e de hoje.

O Jornal O Estado de Mato Grosso, base da pesquisa para esse artigo noticiou na sua capa a inauguração com um auspicioso e primoroso texto: “A ponte que transpôs o rio também transporá os séculos, levando para os povoamentos do porvir as notícias e as bençãos de um administrador sem igual e da ponte sobre o rio Cuiabá!  A glória de um nome para o culto imortal do futuro!”.

Suelme Fernandes é mestre em História pela UFMT.

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