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Sistema da CGU agiliza prestação de contas em transferências da União

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Um sistema desenvolvido pelo Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) pretende solucionar a falta de capacidade operacional que envolve o processo de transferências voluntárias da União, considerado crítico pela pasta. A ferramenta utiliza algoritmos para verificar os instrumentos firmados no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Sincov) e se baseia em uma nota de risco para medir a probabilidade de aprovação ou reprovação das contas.

“Com a inovação, estima-se um benefício imediato de aproximadamente R$ 114 milhões decorrentes da redução dos custos administrativos (a exemplo da remuneração de servidores) relacionados à análise do passivo existente”, diz a CGU por meio de nota.

Levantamento realizado pela Controladoria apontou aumento contínuo do número de contas pendentes. Até o final do último mês de agosto haviam 15,3 mil prestações de contas em atraso, que totalizam o valor de R$ 16,7 bilhões. Desde 2008 foram firmados pela União quase 150 mil instrumentos entre convênios, acordos, ajustes e similares para realização de obras, serviços ou bens de interesse público que ultrapassa R$ 100 bilhões, aponta o levantamento feito pela CGU.

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“Dentre outras constatações, a auditoria da CGU evidenciou um desequilíbrio entre a capacidade operacional dos órgãos federais concedentes e o volume de trabalho requerido para analisar a prestações de contas recebidas, o que gerou um passivo de quase 11 mil instrumentos pendentes de análise”, aponta a Controladoria.

Com a utilização da ferramenta a pasta espera reduzir o prazo médio da fase de prestação de contas, que atualmente supera 2,2 anos para obras e 2,8 anos para bens e serviços por meio da análise automatizada na identificação e apuração de eventuais irregularidades, além da otimização de todo fluxo processual dos instrumentos de convênios e contratos de repasse.

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Abuso sexual e violência: o que dizem funcionárias da Globo que acusam Marcius Melhem

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Pela primeira vez após a demissão do ator e diretor Marcius Melhem da Rede Globo, em agosto, após acusações de assédio sexual, as supostas vítimas do ator se manifestaram. Por meio da advogada Mayra Cotta, as funcionárias revelaram que Melhem agia de forma ‘violenta’, usava seu poder hierárquico para constrange-las e, por vezes, chegou a trancar mulheres em salas para assediá-las.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Mayra afirmou que as vítimas denunciaram o ator ao setor de compliance da emissora, que instaurou um procedimento interno para apurar os casos.

Entretanto, elas não ficaram satisfeitas com o desfecho do processo e resolveram se organizar para expor “tudo o que elas passaram e toda a gravidade do comportamento que o Marcius Melhem teve enquanto ele foi chefe” e “para que ele não fosse simplesmente varrido para debaixo do tapete”, diz a advogada.

Ela revela que, segundo suas clientes, Melhem agia de forma agressiva reiteradamente. “Houve um comportamento recorrente, de trancar mulheres em espaços e as tentar agarrar, contra a vontade delas. De insistir e ficar mandando mensagem inclusive de teor sexual para mulheres que ele decidia se iam ser escaladas ou não para trabalhar, se ia ter cena ou não para elas [nos programas de humor]. De prejudicar as carreiras de mulheres que o rejeitaram. De ficar obcecado, perseguindo mesmo. Foi um constrangimento sistemático e insistente, muito recorrente”.

Mayra Cotta disse que o diretor se aproveitava de situações de trabalho para as tentar agarrar e beijar as vítimas à força, prensando-as contra a parede.

A advogada representa seis vítimas de assédio sexual, outras de assédio moral e seis testemunhas, além de um grupo de apoio formado por, aproximadamente 30 pessoas. As vítimas e testemunhas preferiram manter suas identidades em sigilo.

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Marcius Melhem se defende

Após a publicação da matéria, Marcius Melhem usou o Twitter para se defender. Em uma longa série de posts na rede social, o ator disse que está disposto a reconhecer e, se possível, reparar seus erros.

“Sobre a matéria da Folha: Como escrever uma nota pra comentar acusações dessa gravidade? Culpados e inocentes dizem a mesma coisa. ‘Sou inocente. Vou provar na justiça’. Por isso qualquer coisa que eu diga pode soar falsa de cara. Mas preciso falar e com o tempo mostrar minha sinceridade no que vou dizer aqui. Estou disposto a reconhecer meus erros, pedir desculpas e, se possível, reparar pessoas q eu tenha de qualquer forma magoado. Quero enfrentar isso com verdade e humanidade e me expor se for preciso. Fazer jus a todos esses anos em que pautas como as do feminismo foram abraçadas pelo humor transformador em que eu acredito. Fiz parte de um grupo de homens e mulheres que se orgulha de usar o humor como um instrumento contra o preconceito. Mas mesmo abraçando profissionalmente a causa feminista, ainda combato o machismo dentro de mim, erro, posso ter relações q magoem. Tento melhorar e aprender. E queria muito falar sobre isso. Mas diante de acusações tão graves que de forma alguma cometi, o que eu posso fazer? Negar.”

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Pela rede social, Melhem pediu que a verdade seja apurada e que saiu da Globo pela porta da frente após rigorosa investigação da emissora.

“Eu coloco à disposição toda minha comunicação que tenho arquivada, com qualquer pessoa que tenha trabalhado ou se relacionado comigo nesses anos. E peço que ouçam as pessoas que trabalharam comigo que acompanharam muitas situações de perto e que podem falar bastante sobre isso tudo. Peço por favor que apurem a verdade e não apoiem mentiras. Há alguns meses, tive que sair do país para um importante tratamento médico de minha filha e não acreditei quando essa viagem passou a ser divulgada como uma fuga. Qualquer pessoa que me conheça, que tenha convivido minimamente comigo sabe que é impossível eu praticar alguma violência, especialmente contra as mulheres. Jamais seria capaz de emparedar alguém à força. Até hoje eu fiquei calado porque as acusações não apareceram aqui fora. No compliance da rede Globo tudo foi apurado e investigado rigorosamente. Saí pela porta da frente da emissora que trabalhei por 17 anos. Sei que num caso desses, ainda mais no momento que vivemos, de tanto ódio, serei culpado até provar o contrário. Então quero que tudo seja colocado às claras, expor a minha inocência e os meus erros. Quero poder pedir desculpas e cobrar responsabilidades. Vou em busca da verdade.”

Também neste sábado, Marcelo Adnet, parceiro de Melhem em humorísticos da Rede Globo, manifestou solidariedade às vítimas.

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