Empresário preso em operação tem contrato com Ministério Público

Arapongas oficiais provocaram rusga entre poderes em Mato Grosso

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Por Jonas da Silva

A empresa S3S Serviços de Inteligência e Informática, do empresário José Marilson da Silva, preso na semana passada na Operação Esdras, presta serviço para o Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE), conforme contratos e documentos que a reportagem teve acesso. O contrato em questão é para fornecimento e implantação de solução de call center (central telefônica, sistema de gestão e suporte).

O empresário é apontado como responsável pela implantação do sistema clandestino de grampos (interceptações telefônicas) no âmbito da cúpula da Polícia Militar, revelado em maio pelo próprio governo Pedro Taques (PSDB) em nota. O efeito imediato do crime foi a queda do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, primo do governador. O caso provocou conflito entre poderes e revelou a espionagem oficial praticada contra políticos, advogados, jornalistas, médicos, juízes e desembargadores.

O contrato é o de número 042/2017 e foi assinado no dia 12 de julho, entre a secretária-geral do MP, promotora Anne Karine Louzich Hugueney Weigert, e o representante da empresa, Rogério de Souza. O termo tem validade de julho de 2017 a novembro de 2020 e o valor é de R$ 29,546 mil.

Detalhe sobre as informações do contrato entre o MPE e a S3S

Detalhe sobre as informações do contrato entre o MPE e a S3S

Após a revelação do caso, um inquérito policial militar e outras investigações foram abertas, como no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que provocou conflito entre poderes e instituições e batalhas judiciais, tal o tamanho do impacto causado e subsequentes questionamentos sobre práticas feita por autoridades na máquina pública.

Como a disputa na Justiça entre a Ordem dos Advogados do Brasil, secção Mato Grosso (OAB-MT) e o Ministério Público. E a rusga entre o governador Pedro Taques e o desembargador Orlando Perri, que investiga o caso no âmbito do Tribunal de Justiça (TJMT), quando este determinou a prisão de um secretário.

O caso de grampo também resultou em exoneração ou substituição de secretários do governo. Como Paulo Taques, em maio. E prisões de outros investigados, figuram o ex-secretário e delegado Rogers Jarbas(Segurança Pública), coronel Airton de Siqueira Júnior (Justiça e Direitos Humanos), cuja autorização foi feita pelo desembargador Perri ao deflagrar a Operação Esdras.

A denúncia original das escutas pela PM de Mato Grosso foi feita ao governador pelo ex-secretário de Segurança Pública, promotor Mauro Zaque, em 2015.

A reportagem entrou em contato com porta-voz do Ministério Público para saber se representante da instituição iria comentar ou falar sobre o contrato da S3S. Mas, a porta-voz disse que as informações estavam na seção transparência do MP.

(Colaborou Widson Maradona)