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Editorial Recado dos deuses Se a humanidade lida com o fogo há milênios e ainda não aprendeu como ele se comporta, então, será preciso aprender tudo de novo.
Houve épocas em que o fogo era a única forma de proteção, afastando predadores. Dá até pra imaginar um grupo de hominídios juntando suas tochas para encurralar a presa e matar a fome de tantos. No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O ser pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava as muitas bactérias existentes na carne. O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo tenha sido usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva. Na antiguidade, o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o calor das chamas tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro. Atualmente, os indígenas ainda preservam essas características ancestrais. No lado oposto, o homem civilizado parece não carregar essas informações no seu DNA. O coordenador executivo do ICV- Instituto Centro de Vida -, o francês naturalizado brasileiro Laurent Micol, 37 anos, nosso entrevistado em agosto, traduz bem essa realidade. Ele afirma que a sociedade e o Estado não estão preparados para lidar com o fogo. Se a humanidade lida com o fogo há milênios e ainda não aprendeu como ele se comporta, então, será preciso aprender tudo de novo. Uma lenda grega, imortalizada na tragédia ‘Prometeu Acorrentado de Ésquilo’ - (525 a.C. – 456 a.C.), relata que o gigante Prometeu roubou o fogo dos deuses para presentear os homens. Por esse motivo, recebeu como castigo uma terrível tortura. Lenda é lenda, mas, talvez, a tragédia de Marcelândia (MT) que causou prejuízos incalculáveis à sociedade, à economia e à natureza, seja apenas um recado dos deuses. É preciso mudar! Rui Matos, editor
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