| Foto: Agência Brasil |
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| Ricardo Lewandowski: “Era preciso criar uma cultura de maior participação política dos eleitores nas eleições deste ano” |
Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atua firme na defesa da aplicação da Lei Ficha Limpa que, na avaliação dele, não é uma punição aos políticos, mas um grande avanço na moralização dos costumes políticos. Nessa entrevista, Lewandowski comenta que a lei permite que todo eleitor conheça os antecedentes criminais dos candidatos e, ainda, proporciona condições para que partidos escolham melhor seus representantes no pleito. Ele lembra que a lei é fruto de iniciativa popular, e que representa um avanço na moralização dos costumes políticos. O ministro comenta a Campanha Eleições Limpas e a importância da participação popular no processo eleitoral.
Ministro, por que o senhor aposta na Lei Ficha Limpa?
Porque é um avanço. A legislação sancionada em junho deste ano estabelece uma série de condutas passíveis de levar candidatos à inelegibilidade, mas não apresenta sanções. Ela simplesmente estabelece as condições que o candidato deve ter no momento do registro de sua candidatura. A Ficha Limpa já causou uma revolução na sociedade. Hoje, todo eleitor quer saber quais os antecedentes de seu candidato. A lei também levou os próprios partidos a fazer uma seleção melhor dos seus candidatos.
O senhor defende a retroatividade da lei?
Sim, porque a lei não traz sanções e por isso não estaria restrita às limitações impostas pela Constituição. A principal justificativa dos juristas contrários à nova regra é de que ela fere o princípio da presunção de inocência. Como toda lei, é discutível.
Na sua visão, a aprovação da lei aconteceu de forma precipitada?
Lembramos que ela é fruto de iniciativa popular, foi discutida por deputados e senadores e pela assessoria da Presidência da República antes de ser sancionada. Também passou pelo crivo dos ministros do TSE que decidiram que a nova regra poderia ser aplicada já para o pleito deste ano.
Seria um critério de seleção?
Isso mesmo. Sobre as contestações por parte de candidatos enquadrados nas situações previstas na Ficha Limpa, é bom destacar que a lei age como critério de seleção e não como uma punição a quem vai perder a oportunidade de disputar a eleição.
Julgamentos de registros de candidaturas antes das eleições ficarão comprometidos?
O TSE vai fazer sessões extraordinárias para acelerar os julgamentos sobre registros de candidaturas. Temos que admitir, no entanto, que pode haver candidatos concorrendo sob apreciação judicial.
E se algum candidato for eleito nessa condição?
É o caso do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), que teve a candidatura barrada no Tribunal Regional Eleitoral, mas recorreu ao TSE. Enquanto o recurso não for julgado, Roriz poderá continuar sua campanha e, inclusive, ser eleito. É uma lei complexa. Não pode ser decidida com base no tudo ou nada.
O que muda no comportamento do eleitor?
Com certeza, a aprovação do projeto despertou na sociedade a consciência sobre a vida pregressa e estimulou debates sobre o perfil dos candidatos. Era preciso criar uma cultura de maior participação política dos eleitores nas eleições deste ano.