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Ilson Sanches
O caminho da profissionalização política

Este momento político é muito propício a um ensaio desta natureza, profissionalização política a caminho, por tratar da questão da cultura política do brasileiro. Este, deve agora ativar todos os mecanismos de sua inteligência e de sua experiência para avaliar as palavras ditas pelos candidatos, que se transformarão ou não, em realidade. E devem esquivar-se das armadilhas, serem sapientes para tanto. O brasileiro busca uma realidade melhor do que a que vive neste momento, e sem dúvida a quer assegurada pelas instituições políticas e por aqueles que o representarão nas instituições onde assumirão o cargo eletivo.

As máquinas eleitorais estão em pleno vapor, ativadas e prontas a defender seus candidatos e suas concepções políticas registradas nos tribunais eleitorais, e igualmente as que são emitidas no calor das exposições e debates. Mesmo que haja uma predominância das flexibilizações de propostas e ideários em que a realidade muitas vezes bate na precariedade de conceitos e cria contradições incontestáveis a ponto de se aproximarem das mentiras. E estas, estão na linha tênue da enganação mesmo, estes ideários político-partidários são muitas vezes completamente esquecidos.

Não se lembra o candidato, nem mesmo o que representa o seu partido, muitas das vezes. O único que parece fiel aos seus ideários é o partido comunista. Radical ao ponto de esquecer da falta de papel higiênico em Cuba. E assim, preconiza a absoluta estatização a qualquer custo, e outras coisas que pensa ser o povo desmemoriado ou iletrado historicamente, esquecendo-se de suas lutas incansáveis ao longo dos séculos e consolidada pela segurança jurídica requerida.

A luta por cargos domina os debates e embates, e faz esquecer a luta de classes e por benefícios sociais, e ainda deixa de existir a médio e longo prazo e vive-se, atualmente, o curtíssimo prazo. 

No entanto, é preciso lembrar que a história política brasileira está sendo reescrita nestas eleições de uma forma muito específica, senão vejamos. O partido hoje majoritário e que tem no Presidente a sua maior liderança, construiu, por força ideológica e pragmática, uma estrutura administrativa própria e poderosíssima, que comanda as organizações públicas com forte influência intersetorial e sobre o setor privado. A ponto dos setores empresariais serem hoje os maiores defensores das estruturas políticas e econômicas, com base no setor financeiro que alimenta os investimentos públicos e privados. Tudo sob uma estratégia de aliança e composições que permitem conservar as regras atuais, e serem defendidas nos instrumentos da campanha eleitoral. Valendo, portanto, o pragmatismo eleitoral do partido majoritário.

A sustentação federativa, representada pelos estados e municípios, que apóiam o partido governamental, está fortalecida pelos programas de investimentos federais agora, igualmente, sustentados pelos instrumentos da Copa de 2014. Do ponto de vista da política externa, a manifestação interna dos setores não reflete uma opinião importante, pois poucos e especializados são os setores dependentes que não atingem parcelas significativas da população brasileira.

Assim, o perfil eleitoral atual exprime: força política nacionalmente consolidada e dominante, fortemente vinculada às esferas de poder do Estado, ideologicamente dominante, com possibilidades de fissuras políticas muito restritas. Só se errar muito ou mentir muito, e o país prospera relativamente, e de forma conveniente a manter dependência eleitoral de grande parte da população, sobretudo a de baixa renda, em razão da prática do estado social. O que dá favorabilidade constante das atuais forças políticas dominantes.

Sem mencionar que a estrutura administrativa está consolidada, pronta e dominante para funcionar com esta expectativa política. E há toda uma estrutura profissional vinculada a estes, processo e procedimento, que formam fortes opiniões, apresentando uma reação às transformações, mesmo que orquestradas.

E esta lógica compromete os partidos de oposição, enfraquecidos pela ausência de instrumentos políticos operacionais capazes de mudar as regras estabelecidas.

Otimistamente, entendemos que isto não impede uma renovação das elites, e um crescimento da classe menos favorecida para fortalecer o país e encaminhá-lo para mais uma mudança estruturante e ideológica, claro, se baseada na liberdade econômica e no fortalecimento do Estado Democrático de Direito.

Ilson Sanches é Advogado - www.ilsonsanches.com


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