Jonas da Silva
Da Redação

As obras do VLT em Cuiabá e Várzea Grande foram sempre polêmicas e cercadas de mistérios sobre irregularidades e o costume de corrupção em obras públicas. Boa parte da corrupção foi revelada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e pelo seu ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf.

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As investigações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e a decisão do juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré, que culminaram com a Operação Descarrilho nesta quarta-feira (9), resumem bem a corrupção que se instalou com a oportunidade do VLT. Em quatro eventos, está claro o que aconteceu.

Leia os eventos:

1 . Pagamento realizado por Maurício Guimarães, por determinação de Silval da Cunha Barbosa e por intermédio de pessoa interposta (Ricardo Padilha de Bourbon Neves), com recursos oriundos de propina arrecadada na SECOPA, caracterizando, em tese, os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

2 . Desvio de recursos decorrente da subcontratação da empresa Cohabita Construções Ltda com o subsequente pagamento de propina consubstanciado no pagamento de empréstimo contraído perante instituição financeira em favor de políticos com o fim de quitar dívida de campanha eleitoral, caracterizando, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

3 . Subcontratação da empresa Multimetal Engenharia de Estruturas Ltda pelo Consórcio Construtor CR Almeida a pedido do então deputado estadual José Geraldo Riva, sócio oculto da referida empresa por intermédio de “contrato de gaveta” por intermédio de sua esposa/companheira Janete Gomes Riva.

4 . Acerto de propina no montante de RS 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais) com representantes da CAF Brasil relacionados aos pagamentos referentes aos veículos, trilhos e sistemas operacionais de execução do VLT, caracterizando em tese, os crimes de corrupção passiva e corrupção ativa.

Mudança de modal

A própria mudança do modal de BRT para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em 2012, precisou da atuação da Justiça para ser confirmada. Na ocasião, o ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva confirmou a mudança e prosseguimento do projeto VLT.

Orçada em R$ 1,477 milhão e com gasto de R$ 1,066 bilhão pela gangue do governador Silval Barbosa (PMDB), a obra do trilho e a operação do modal nunca saiu do papel. O governo Pedro Taques (PSDB) tentou retomar as obras, o que significaria custo adicional de R$ 922 milhões. Apenas viadutos e trincheiras foram construídos. Tudo era para ficar pronto antes de junho de 2014, para a Copa do Mundo em Cuiabá.

No início da tentativa de construir o VLT, uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) havia detectado irregularidade na formulação de parecer no Ministério das Cidades para mudar o modal de BRT para VLT. A mídia nacional, em especial o portal UOL denunciou que o então lobista Rowles Magalhães havia pago R$ 80 milhões em propina para o ex-vice-governador Chico Daltro. Ele desmentiu na época.

Da polêmica, questionamentos iniciais na Justiça e a tentativa desconfiada pela população da “modernidade” do transporte público em Cuiabá e Várzea Grande, sobrou a sequência de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro anotada ao longo do processo, como constam em detalhes da decisão do juiz Paulo Sodré na decisão dos 18 mandatos de busca e apreensão da Operação Descarrilho.

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