Com perspectivas de aumento da produção acima da demanda na safra 2017/2018, a tendência é o preço do açúcar apresentar estabilidade em 2017. É o que aponta o Boletim Setor Sucroalcooleiro do Ceper/Fundace, com base em dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A previsão do Mapa para a safra 2016/2017 é de um aumento de 14,5% da produção de açúcar em relação à safra anterior, ainda que a estimativa seja de uma ligeira queda na safra 2016/2017, de 3,8% em relação à safra anterior, atingindo 645 milhões de toneladas em moagem de cana-de-açúcar. Ainda segundo o Mapa, para o etanol anidro e hidratado, a expectativa é de redução da produtividade em 2,33% e 15,9%, respectivamente.

Os dados da Conab destoam do Mapa e estimam produção recorde em 2016/2017, alcançando quase 700 milhões de toneladas, o que representaria a maior safra dos últimos anos. A justificativa da Conab seriam as boas condições climáticas e a boa umidade do solo.

Evolução dos preços – O estudo do Ceper mostra que, nos últimos meses, a dinâmica do preço do açúcar cristal seguiu de perto a dinâmica do preço do açúcar no mercado mundial. Após saltar de R$ 52,00 (agosto de 2015) para R$ 99,33 (outubro de 2016), o valor da saca de 50 Kg de açúcar cristal apresentou queda nos últimos meses e fechou março de 2017 em R$ 77,64. A queda no preço internacional foi menor, indicando o efeito da variação cambial no preço doméstico da commodity.

 Tanto no mercado interno quanto no externo, o preço do açúcar vem apresentando uma trajetória de elevação desde meados de 2015 em decorrência de um descompasso entre oferta e demanda do produto no mercado internacional nas safras 2015/2016 e 2016/2017.
 “Com perspectivas de aumento da produção acima da demanda na safra 2017/2018, a tendência é que o preço do açúcar apresente estabilidade em 2017”, explica o pesquisador do Ceper Luciano Nakashi, que também é docente da FEA-RP/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo).

Já no acompanhamento do preço do litro de etanol na usina verifica-se alta nos últimos meses. O etanol anidro (que é misturado à gasolina) passou de R$ 1,59, em maio de 2016 para R$ 2,06, em janeiro deste ano, o que representa uma elevação real de R$ 0,47 (29,6%). O etanol hidratado, utilizado como combustível, foi de R$1,44 em março de 2016 para R$1,89 em janeiro de 2017, uma variação de R$ 0,45 (31,3%). O etanol chegou a alcançar R$ 2,11 em novembro de 2016.

 “Tal fenômeno é explicado, principalmente, pela preferência dos produtores do setor sucroalcooleiro em fabricar açúcar, devido à maior rentabilidade desta commodity atualmente. Com o direcionamento para a produção de açúcar, a diminuição da oferta do álcool ajuda a explicar a alta dos preços do combustível no mercado interno”, aponta Nakabashi.

O boletim sobre o setor traz também uma previsão do aumento de produção e de produtividade de cana de cana-de-açúcar no Brasil e por região. É esperado aumento da produção de cana-de-açúcar no Brasil e nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul na safra 2016/2017 em relação à anterior. Se confirmados os números da Conab para a safra 2016/2017, a região Sudeste produzirá 67,3% do total de cana-de-açúcar do País, o que corresponde a quase 470 milhões de toneladas.

Com relação à evolução da produtividade, é previsto que ocorra aumento na safra 2016/2017 apenas nas regiões Sudeste e Nordeste. Apesar da previsão de queda na produtividade na região Centro-Oeste, esta ainda deve continuar como umas das mais produtivas, ao lado da Sudeste. O Nordeste, por sua vez, deve retomar sua produtividade após um período de intensa seca.

Crédito: Agrolink com inf. de assessoria

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